sábado, 29 de maio de 2010

ENTENDENDO A CONFISSÃO DE WESTMINSTER - DISCIPULADO 1

ESTUDOS NA CONFISSÃO DE FÉ DE WESTMINSTER.


DEPARTAMENTO: Escola Bíblica Dominical.

Aluno:___________________________________________________________________

Professor: João Ricardo Ferreira de França(3475-7544 ou jrcalvino9@yahoo.com.br e jrcalvino9@hotmail.com ).

ASSUNTO: Capítulo 2 – de Deus e da Trindade .

SEÇÃO ESTUDADA: Primeira.

INTRODUÇÃO: O nosso estudo tem como objetivo estudar o ser de Deus conforme Ele se revela nas Escrituras. Deus não é provado pelas Escrituras, pois, a Bíblia só pensa em nos dá de imediato a existência de Deus. “No princípio Deus...” esta é uma verdade clara em tudo. Este capítulo de nossa Confissão de Fé trata da Teontologia (Estudo do ser de Deus), e pode ser reconhecido como o capítulo confessional que trata especificamente da teologia do ser de Deus. Nesta aula vamos estudar dois grande e fundamentais conceitos a respeito do assunto: Os atributos incomunicáveis e comunicáveis de Deus.



I – ATRIBUTOS INCOMUNICÁVEIS DE DEUS.

Definição: Podemos dizer que são os atributos que Deus não comunica ao homem, pois, estes atributos encontram-se somente em Deus.

Diante disso desejamos apresentar aos irmãos alguns destes atributos conforme têm sido apresentados na Confissão de Fé de Westminster.

A unidade de Deus: Antes de considerarmos apropriadamente este assunto, se faz necessário considerar a unidade Deus. Nós presbiterianos acreditamos que há um só Deus, e este é “Vivo e Verdadeiro”.

O texto de Deuteronômio 6.4 nos mostra essa realidade. O termo “único” ocorre no texto para apontar uma “Unidade” não Absoluta, mas para uma “Unidade composta”, ou seja, Deus é um, mas nele há uma certa pluralidade que o judeu não podia explicar. Este é o indicio da doutrina da Trindade que consideraremos depois.

1. Deus é Infinito em Perfeição: Deus tem sido caracterizado na Bíblia como um ser infinito. Em profunda perfeição a infinitude de Deus descreve que ele não tem fim, sempre continuará existindo, isto descreve que ele é isento de qualquer limitação, descreve que ele está ausente de qualquer erro em seu ser, e assim, descreve sua perfeição. Veja-se Jó 11.7-10; Salmos 145.3; Mt.5.48.

2. Deus é Imutável: Outro atributo de Deus que é incomunicável ao homem é chamado de imutabilidade, a imutabilidade de Deus significa que Ele é sempre o mesmo em Seu ser, Ele não muda em sua natureza ontológica. O texto de Tiago.1.17 nos informa isso. Três coisas podem ser analisadas aqui:

A) Tudo o que é bom vem de Deus.

B) Que de Deus as trevas não vem.

C) Que Deus não pode mudar.

3. Deus é Eterno: A sua eternidade não pode ser enumerada, somente ele é o ETERNO POR MAGNIFICIENCIA. A eternidade de nossa alma está ligada à criação de Deus.O SENHOR criou o homem para ser eterno, mas a eternidade de Deus é dEle somente.

4.Onipotência: Creio “em Deus Pai, Todo-Poderoso” esta é a confissão da igreja. O atributo de onipotência cabe somente em Deus que criou o mundo e tudo o que nele existe, ter todo poder significa que Deus pode fazer tudo o que lhe apraz para glorificar o seu próprio nome. Jó 37.23.

5. Onisciente: Deus conhece todas as coisas em sua totalidade, esse conhecimento não é adquirido, mas é inato em seu ser, Deus não aprende as coisas como acontece conosco, mas ele sabe tudo – alguns chamam isso de conhecimento exaustivo e simultâneo de Deus. Dentro deste atributo podemos incluir a presciência que é fruto deste conhecimento exaustivo de Deus.Romanos 11.34 e 1 Pedro 1.1-2.

6. Onipresença: O Criador está em todos os lugares e não está limitado a estes lugares. É isto que quer dizer “Onipresença”. Dentro deste atributo encontramos apoio para duas verdades teológicas que são: 1) que Deus é Imanente – está na Criação, mas não é a Criação; 2) que Deus é transcendente – que está ausente na Criação, mas não abandona a Criação e não se funde ou confunde-se com ela.(Salmos 139.7-10)

II – ATRIBUTOS COMUNICAVEIS: A definição destes é que os mesmos são atributos que encontramos em Deus e no homem, no Criador os encontramos com grande elevação e nos homens com imperfeição. Desejo mencionar apenas três destes atributos.

1.Santidade: A Bíblia descreve Deus como Santo, o homem também, quando encontrado pela Graça de Deus, é descrito como tal. Is.6.3; 1 Co.1.1-2.

2.Amor: Deus é Compreendido como sendo amor 1Jo.4.8,10

3.Justo: O Deus da Bíblia é apresentado como sendo justo. Naum 1.2,3

III – DEUS É AUTO-SUFICIENTE: Deus não se auto-criou. Ele sempre existiu. Ele não precisa das suas criaturas para continuar existindo. Por quê?

1)Porque é a origem de todas as coisas: A Bíblia declara isso de forma clara (Sl 104; Amós 4.13; Cl .1.16,17).

2) Porque somente ele deve ser merecedor de glórias e honras: Veja-se Rm.11.36; Ap.4.11.Isso deve gerar em nós humildade diante de Deus pós nós precisamos dele.At.17.22-28

questionário.

l) O que são os atributos de Deus? E quais são?

2) O Deus da Bíblia precisa de alguém? Explique.

3) Qual é a atitude que devemos assumir diante da auto-suficiência de Deus?

4)Fale sobre o que entende-se dos atributos comunicáveis de Deus?

5) A imanência e a transcendência são verdades de que Atributo de Deus?

6) O que significa Presciência em 1 Pedro 1.1-2?.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

A Visão Reformada dos Primeiros Capítulos de Gênesis.

Introdução:

O que há de tão especial neste assunto? O que este assunto significa para a igreja em nossos dias? È difícil para a teologia moderna considerar este assunto. Deixe-me sugerir porque penso que este assunto é realmente importante para nós hoje.

Primeiro porque tenho percebido que a nossa geração de teólogos modernos não se preocupa com o Antigo Testamento e conseqüentemente não refletem sobre este tema. Estamos ainda vivendo um período de incertezas quanto aos relatos do Gênesis.

A segunda razão é que a ciência e a teologia parecem ainda estar em conflitos permanentes, embora, considere que são alguns homens de ciências que estão em conflito com a Bíblia.

A terceira razão para este estudo é o fato de que os liberais ainda continuam exercendo certa dose de influência em muitos círculos acadêmicos de nossa época. Percebo isso pelo amplo acervo de livros de cunho liberal sendo publicados nestes últimos anos. E muitos estudantes de teologia conseguem absorver esse erro mais fácil que a própria verdade, isso é compreensível, pois, é mais uma prova de que a depravação total é uma doutrina eminentemente bíblica.

A quarta razão para a existência deste estudo está no fato de que os primeiros capítulos do Gênesis são vistos como sendo uma visão mítica do povo judeu. Nada do que está registrado nestes capítulos, segundo os eruditos pós-modernos, devem ser vistos como uma narrativa histórica e verdadeira, pois, segundo eles, são apenas mitos antigos.

Por que estudar isso? A minha última resposta seria que os primeiros capítulos do Gênesis são toda a base de uma teologia sadia. Só se pode teologar tendo como base estes primeiros capítulos do Gênesis. Este estudo é uma brevíssima introdução a este assunto tão cativante; e, por falta de espaço não vamos abordar tudo o que se conhece sobre isso, o meu desejo é que Deus use este estudo para que muitos possam apegar-se ao Antigo Testamento com afinco e vê-lo como Palavra Infalível e Inerrante Revelada por Deus.


I – A BASE DA REVELAÇÃO DE DEUS ESTÁ NOS PRIMEIROS CAPÍTULOS DO GÊNESIS.


Precisamos levar em consideração tal assunto a respeito dos primeiros capítulos do Gênesis, isto porque toda a lei, é, em última instância a base da revelação de Deus. Há uma consideração peculiar que necessitamos fazer sobre este assunto. Quando olhamos para a figura da pirâmide acima vemos que a Lei está na base. E ao estar nesta posição não significa que ela seja inferior, mas significa que ela é essencial é necessária.

Vivemos em uma época em que o dispensacionalismo tem deflagrado uma guerra contra a Lei de Deus, e muitos evangélicos têm abraçado esta concepção. E talvez não considerem este assunto edificante e importante para a igreja moderna.

A questão que levantamos é a seguinte se a Lei é a base de toda a revelação de Deus, e se há algo nesta Lei que não é verdadeiro ou atual, então toda a revelação de Deus está condenada. Então, a Bíblia não pode ser confiável. Note bem, se dissermos que há certas partes na Bíblia que não é verdade, então não temos uma Bíblia – temos um livro qualquer sem nenhum valor.

Os eruditos do liberalismo teológico acham que devem interpretar a Bíblia conforme as suas regras racionalistas, e pensam que devem conformar a Bíblia aos seus padrões puramente humanos.

Como devemos encarar os registros de Gênesis? Os liberais insistem em dizer que os relatos são puramente mitos antigos. Alguém pode dizer como? Será isso possível? A nossa resposta é um ressonante Não.

A Lei é a base de tudo . Por quê? Porque na concepção Reformada existe um progresso na revelação de Deus, e, este progresso tem como finalidade alcançar um clímax singular que é a Plena revelação de Cristo Jesus.

Dentro do processo revelacional podemos perceber que Deus vem se revelando ao longo da história como redentor de seu povo e que tem uma mensagem específica para o seu povo. Este processo pode ser visto da seguinte maneira:





LEI ---------- ESCRITOS --------- PROFETAS------ NOVO TESTAMENTO



Vemos assim um progresso onde o Novo Testamento é o clímax de toda a revelação de Deus a que nasce em Gênesis. A lei é a base para o Novo Testamento. É exatamente isso que Cristo nos diz em Mateus 5.43-44. O ensino sobre o amor ao próximo não algo exclusivo do Novo Testamento, como alguns têm pensado, e nem é fruto do ensino de Cristo somente, mas este ensino encontra a sua raiz no Pentateuco no livro de Levítico 19.18.

Diante disso surge-nos uma outra questão: Quem deve interpretar o Antigo Testamento? Os liberais? Os conservadores? Os neo-ortodoxos? A resposta para isso é que a verdadeira e correta interpretação do Antigo Testamento é o Novo Testamento. O principio reformado de interpretação é “a Escritura interpreta a própria Escritura”. Vejamos alguns exemplos:

Gênesis 12.1-3--------------Gálatas 3.5-8.



Romanos 1.16-17----------Habacuque 2.4; Gênesis 15.6.



Essa deve ser a nossa regra de hermenêutica com relação aos primeiros capítulos de Gênesis como de toda a Bíblia. No Gênesis temos todas as verdades de Deus concernentes a salvação dos homens pecadores. Se tudo começa lá como podemos negar a veracidade do que ali está registrado?

II – O REGISTRO DA LEI É CONFESSIONAL OU REVELACIONAL?

Alguns eruditos modernos declaram que o “Gênesis é um livro confessional, mas não é um livro que expõe a realidade”. O que isso significa? O que se deve entender por revelação confessional? É aquela compreensão de que os primeiro relatos do livro do Gênesis é mais uma forma com a qual o homem decidiu contar as origens de todas as coisas.Como os babilônios tinham a sua cosmologia (sua visão de como o mundo foi criado), como os egípcios, os gregos com os seus mitos; do mesmo modo, os judeus decidiram contar como ele vêem a criação , de sorte que o muito do que está registrado no Gênesis – principalmente o relato de Gênesis 1 - tem um forte paralelo com os mitos babilônicos e isso significa que os judeus adaptaram esses mitos (que supostamente são mais antigos que os relatos bíblicos do Gênesis), e assim, a sua crença de como o mundo foi criado.

Qual é a implicação disso? Isso significa que os registro do Gênesis não são o que de fato de Deus revelou, mas são crenças peculiares de um povo. Todavia, o entendimento reformado sobre essa questão é que os atos registrados em todo o Antigo Testamento são revelacionais em sua composição. O simples ato da criação é revelacional: Veja Romanos 1.18-20.

Todos os atributos apontam para a manifestação do caráter do criador. Quando se fala do “poder de Deus” aqui se testifica que apenas um ser poderoso poderia criar o mundo como o concebemos.

E o termo “sua divindade” é usado no texto para indicar a natureza divina, pois, o termo grego “theiotes” aponta para a revelação do próprio ser de Deus. Esta linguagem paulina encontra apoio no texto de Salmos 19.1-4.

O que faz os céus? “proclamam a glória de Deus”, o verbo proclamar no hebraico é “mesaperim” este verbo tem o sentido de “narrar”, “contar com exatidão”, “revelar”, “pregar”, “ser selecionado e destinado para contar algo”. A criação é o canal no qual Deus se apresenta diante dos homens como sendo o criador de tudo o que existe. Neste sentido podemos dizer, sem sombra de dúvida, que a criação é puramente revelacional. Ela não está vinculada a uma crença peculiar do judaísmo sobre a origem de todas as coisas. Antes de tudo é a própria revelação de Deus.

Por que é importante refletirmos sobre isso? É porque toda a nossa teologia depende de como nós encaramos os primeiros registros de Gênesis. Uma teologia que não leva em consideração a historicidade dos registros de Gênesis não deve ser chamada adequadamente de teologia.

III – CONSIDERANDO ALGUMAS PASSAGENS NO GÊNESIS.
Estudando o livro do Gênesis percebemos grandes verdades que estão contidas ali. Nos mitos babilônios e egípcios temos uma criação realizada ou feita sem algum propósito, a criação do mundo é resultado de intrigas entres os seres divinizados.

Mas no relato do Gênesis há uma harmonia entre as Pessoas da Trindade que decidiram criar o mundo. No primeiro capítulo temos Deus criando tudo para ser habitado. Veja abaixo:


Os filhos que o homem deve trazer a existência, por meio da geração, devem adorar a Deus. A terra deve ser povoada por uma geração santa que viverá para a glória de Deus. A criação, como um todo, deve glorificar a Deus.



Mas há algo fundamental em Gênesis 1 é o fato de que a criação aos olhos do Criador é muito boa. Nada é imperfeito. Tudo tem o seu lugar no mundo criado por Deus. Há uma ordem no cosmos. Essa exatidão do registro bíblico incomoda alguns homens de ciências. Incomoda particularmente os evolucionistas, pois, eles alegam que tudo no início era um caos e ficou tudo em ordem, e não o contrário. Eles não aceitam o relato de Gênesis porque tal relato contradiz a “teoria da evolução”, o texto do Gênesis revela a impotência e a fragilidade da evolução. Pois, neste mesmo livro vemos a degeneração do homem, ou seja, a ordem tornando-se desordem, é um conceito contrário ao da evolução. Isto significa que o simples não gera o complexo. Tudo foi criado na mais perfeita harmonia., mas o homem pecou contra Deus e trouxe a desordem sobre o universo.



Outra verdade que precisamos considerar no relato de Gênesis é o fato de que há três mandados divinos para a criatura que fizera. Estes mandados perduram até o dia de hoje e isto significa que tais capítulos são narrativas históricas e verdadeiras. Quais são estes mandados? Vejamos:







1 – O Mandado Cultural: Se fizermos uma comparação entre Gênesis 2.15 e 1.26,28 perceberemos no que consiste este mandato. A base da cultura estava ali presente, ou seja, tudo o que uma cultura precisa para existir está presente aqui:



a) O Trabalho: “Adão deveria cultivar o jardim”.Isto nos ensina que o trabalho não um resultado da queda como muitos têm pregado e ensinado em nossos dias; comer com o suor do teu rosto mostra que o trabalho depois da queda tornou-se algo fatigante, duro e espinhoso. O trabalho é um mandado de Deus ao homem.



b) O exercício do Governo: O homem reflete a imagem de Deus na criação, e tem sido considerado como vice-regente do mundo. A posição real de Adão neste mundo aponta para o princípio do governo, a idéia de domínio aqui não é de exploração, mas aqui está implícito o princípio da mordomia. Governar não é pecaminoso, mas é honroso – Deus criou Adão com o propósito deste governar o mundo.



2- O Mandado Social: Agora chamamos a atenção do leitor para Gênesis 2.21-24 é aqui onde temos o nascedouro da sociedade. Temos a estrutura familiar estabelecida. A família é ordenada em termos de um desapegar-se e unir-se a outrem. Note como Gênesis coloca as coisas:

a) A criação da mulher tem como objetivo evitar a solidão de Adão.

O princípio extraído aqui é que o homem não é uma ilha, isolada, sozinha sem relação com outros. O companheirismo é algo que Deus prima em sua criação – o casamento não deve ser uma prisão para os solteiros, mas a liberdade da amizade e cumplicidade matrimonial.

b) Que esta relação é heterossexual.

Aqui tem sido condenado o homossexualismo de forma muito clara. Adão se une a sua mulher. E não a outro homem, nem mesmo uma mulher se une a outra. Mas o que está escrito é que “macho e fêmea”.



c) É uma relação monogâmica.



Não temos aqui nenhuma indicação de que o homem deveria ter mais de uma esposa, e nem a mulher mais de um esposo. Não há espaço para a poligamia. Deus dá um extremo valor para com a família. E com isso está nos dizendo que a sociedade deve valorizá-la porque somente assim a sociedade pode ser sólida neste mundo.



3 – O Mandado Espiritual: Vamos considerar Gênesis 2.16-17. Aqui somos introduzidos ao conceito de relação entre o homem e Deus por meio de um pacto .Deus é visto como sendo o Soberano (como de fato Ele o é) que exige do homem uma observância das estipulações pactuais. Vejamos o que está envolvido neste mandado espiritual:

a) A comunicação: Adão falava com Deus (Gn 3.8-10). Havia uma comunicação entre a criatura com o Criador. A própria ordem de Deus para não comer da árvore aponta para esta comunicação.

b) A Obediência a uma ordem: Em Gênesis 2.16 tem a expressão “deu esta ordem” exige de Adão uma obediência e uma conformidade para com a Lei de Deus expressa no pacto. O pacto envolvia vida e morte. O certamente “morrerás” no versículo seguinte indica que a vida e morte se relacionavam com o pacto. Por isso, exigia-se da parte que estava pactuando com Deus (no caso Adão) uma obediência inteira, exata e perpetua.



c) Adoração: O mandado espiritual envolve a questão da adoração oferecida ao criador. No inicio de tudo já podemos dizer isso. Em Gênesis 2.1-3 indica que Deus cria o sábado para ser o dia de adoração, este sábado é um memorial da criação de Deus. O sábado é instituído como dia de culto onde Adão e sua família deveria se deleitar.

Isto pode ser demonstrado pelo uso da anologia da fé. Em Êxodo 20.8-11 temos a expressão “Lembra-te”. Do quê? Do dia de sábado para o santificar, o uso do verbo “lembrar” aqui nos reporta para Gênesis 2.1-3. Isso porque o sétimo dia da semana está vinculado aos seis dias da criação, logo, Adão adorava no mesmo dia que o povo da aliança – no sábado do Senhor. Mas por que dizemos isso? Porque Hebreus 4.10 nos indica isso de forma muito clara. A interpretação pode ser a seguinte:



É necessário notar que todos os mandados foram dados antes da queda de Adão e Eva no pecado. Isto nos diz que eles são permanentes até o dia de hoje e não podem ser negligenciados.

Consideremos agora de forma rápida Gênesis capítulo 3. A questão fundamental a ser tratada é se a serpente é literal ou não. Como interpretar este capítulo? Três propostas são oferecidas:

1) Simbolicamente.

2) Literalmente.

3) Alegoricamente.



Estas são três correntes de interpretação mais usadas em nossos dias. Como interpretar? Se adotarmos o princípio do simbolismo, iremos cair no erro de que o texto do Gênesis é confessional – como já vimos acima o texto não pode ser confessional. Se adotarmos o princípio alegórico, vamos transformar os relatos de Gênesis em puros mitos ou sagas, e assim, teremos umas estórias sem significados. Portanto, nosso entendimento é que a melhor forma de interpretar este capítulo é literalmente. Este capítulo pode ser dividido em três seções básicas para um entendimento geral:



A) O JUÍZO NO ÉDEN: O pecado de Adão e Eva tenta ocultar os atributos de Deus que a própria criação revela. Adão deseja ser igual a Deus(vs.5). Vejamos o resultado disso tudo:

1) A expulsão do Jardim vs.23

2) A separação do seu Criador vs.9-11

3) A serpente é culpada vs 14

4) A derrota certa de Satanás vs.15



B) A MISERICÓRDIA DE DEUS NO ÉDEN:



O que era para acontecer com Adão e sua esposa? Adão deveria ser fulminado no momento em que pecou, deveria ser morto. Pois, ele pecou contra o Deus Supremo.

1. Deus poderia ter feito com que Eva ficasse estéril, mas disse que Ela teria filhos só que com muitas dores. O ter filhos era um sinal de que haveria esperança de restauração (vs.16)

2. O homem e o trabalho tinham uma relação de dureza agora vs 17-19, Deus poderia ter tirado os meios com os quais Adão pudesse extrair o seu pão, mas Deus que é rico em misericórdia não o fez.



C) A GRAÇA DE DEUS NO ÉDEN:



Adão foi salvo? Esta pergunta tem sido pertinente a um estudo acurado sobre Gênesis capítulo 3. Olhando para os versículos 14-15 deste texto. O entendimento da Teologia Reformada, por ser uma teologia pactual, é que Adão e Eva foram salvos pela graça de Deus manifestada no Éden; Ele creu no proto-evangelho que lhe foi anunciado por Deus. No versículo 15 Deus anuncia que haverá um grande conflito neste mundo de duas descendências – a descendência de Deus e a descendência do diabo – que nascem de uma única raiz, Eva (mãe de todos os seres viventes).

Deus diz que no meio desse conflito haverá um descendente que irá resolver o problema do pecado na raça humana, haverá um resgatador. A mensagem escatológica deste capítulo é puramente messiânica. No contexto de morte vemos continuamente a vida. Adão contempla, pela fé, o seu redentor – Cristo!

Considere o capítulo 4.1 temos a expressão “com auxilio do SENHOR”. A palavra “auxílio” no hebraico pode ser “yeshu’ar” que significa ‘ajuda’, ‘salvação’, ‘assistência’. Ou poderia ser a palavra “’ezer” que significa “ajudar”, “auxiliar” ou “socorrer”, todavia, no hebraico a palavra “auxílio” não aparece neste texto. Aqui foi mais uma interpretação dos tradutores para oferecer sentido à expressão. A força do hebraico é “adquirir um varão da parte do SENHOR”. Aqui parece indicar que Adão e Eva estavam desejosos pelo redentor prometido. O nascimento de cada filho tornou-se a esperança da vida. “Será que é agora que o redentor há de nos restaurar”, será “agora que ele trará paz ao mundo”? Todas estas indagações estavam centradas em Caim.

Mas, Abel também nasce(vs 2). O texto nos informa a respeito da morte de Abel por parte de Caim. Por que isso? O versículo 8 nos oferece alguma explicação. Neste mundo há duas descendências e Caim pertence ao Maligno (1 Jo 3.8). O conflito no mundo está declarado desde o Éden. Neste mundo existem os que vão crer em Cristo, e os que vão rejeitar a Cristo e se levantarão contra Ele.

No capítulo 5 temos as toledotes de Adão. Os filhos de Adão são contemplados como carregando a imagem de Adão e não a de Deus , isto para denotar a idéia singular da queda. Notamos que Caim não entra na Genealogia. Isso é muito lógico como já explicamos acima. Mas, Abel também não entra. Por quê? A resposta é que Sete é o novo Abel de Adão. A garantida de que a semente santa continuaria existindo neste mundo estava sobre os lombos de Sete.

No capítulo 6 vemos as causas do dilúvio sendo apresentadas. O pecado da raça humana e a degeneração do homem é a temática deste capítulo. Mas a questão é quem são os filhos de Deus no texto?Alguns dizem que se refere aos anjos. Mas o entendimento reformado é que aqui temos uma referência aos filhos de Sete que se relacionaram com mulheres que não pertenciam à aliança de Deus. O curioso neste texto é processo do pecado destes homens, pois, o padrão é o mesmo que o da queda em Gênesis 3, isso nos leva ao início da desordem deste mundo.

1. “vendo” (Gn 6.2; 3.6)

2. “formosas” este termo no hebraico é “Tovoth” que é o mesmo que “bom”(Gn 6.2;3.6)

3. “Tomaram para si” (Gn 6.2; 3.6)

4. “as que lhes agradaram” (Gn.6.2; 3.6. – Agradável aos olhos).



Conclusão: Este breve estudo nos mostrou a importância dos primeiros capítulos do Gênesis para se ter uma teologia sólida e coesa com a fé bíblica. Sem estes capítulos, que devem ser considerados como históricos e fidedignos, não teremos como e porque pregar o evangelho. A base do Novo Testamento tem sido a Thorá de Deus dada ao homem, e uma vez negada a sua legitimidade e autenticidade termos sérias dificuldades em apresentar o evangelho de forma poderosa e eficaz à nossa sociedade.

É nossa convicção particular que o Livro do Gênesis fala de fato das origens de como tudo aconteceu e neste livro encontramos a explicação da queda, a razão da cruz , o propósito do evangelho e a missão da igreja. Tudo está aqui bastar crermos no que nos foi revelado por Deus.








terça-feira, 20 de outubro de 2009

A NOSSA CONFISSÃO DE FÉ


IGREJA PRESBITERIANA DO BRASIL.
ESTUDOS NA CONFISSÃO DE FÉ DE WESTMINSTER.
CAPÍTULO 21 – DO CULTO E DO DIA DO SENHOR.
Prof. João Ricardo Ferreira de França.

Seção 6: "Agora, sob o evangelho, nem a oração, nem qualquer outra parte do culto religioso se restringe ou se faz mais aceitável a um certo lugar em que se ofereça ou para o qual se dirija; mas Deus deve ser adorado em todo lugar em espírito e em verdade; tanto em família, diariamente e em secreto, estando cada um sozinho; como também mais solenemente, em assembleias públicas, que não devem ser descuidadas nem voluntariamente negligenciadas ou esquecidas, quando Deus, por meio de sua Palavra ou por sua providência proporcione ocasião.
Ensinos claros desta seção:
Não existe um local sacro para a adoração Pública:
A adoração a Deus envolve a vida.
O culto solene deve ser observado.
Exposição: A nossa aula de hoje visa esclarecer alguns pontos cruciais a respeito do culto cristão, muitos não se percebem a questão da temporalidade e localidade da adoração; o tempo do culto deve ser sempre levado em consideração, por hora não entraremos nesta questão, mas dedicaremos atenção ao segundo aspecto da localidade da adoração. Existe muita falta de compreensão sobre isso, alguns dizem que há um lugar específico – falando de espaço físico – dedicado à adoração; outros, advogam que se a nossa vida é uma adoração, então, devemos fazer tudo o que der na cabeça no culto. Outros, negligenciam o culto solene com a desculpa que podem adorar a Deus em qualquer lugar. Vejamos o que esta seção nos ensina:
I – NÃO EXISTE UM LOCAL SACRO PARA A DORAÇÃO PÚBLICA NA DISPENSAÇÃO DO EVANGELHO.
A CFW nos ensina claramente que na nova administração pactual – chamada de evangelho ou Novo Testamento – nenhuma parte do culto religioso ( os elementos do culto ) não estão limitados ao espaço geográfico. Isto é um contra ponto estabelecido pelos autores da CFW em ralação ao Antigo Testamento ( onde o culto estava restringido ao Templo) que estabelecida a verdadeira adoração no Templo de Jerusalém. Cristo quebra tal concepção quando ensina que adoração não está limitada (João 4.21-24). Três proposições são fundamentais neste texto:
O culto não se limita a espaço físico.
Os verdadeiros adoradores são aqueles que o Pai chama.( em qualquer lugar)
Que o verdadeiro culto transcende porque é espiritual e fundamentado na verdade
II - A ADORAÇÃO A DEUS ENVOLVE A VIDA.
Outro aspecto bastante claro nesta seção e bastante negligenciado em nossos dias é a questão de que o culto envolve a vida; os que são contrários ao "principio regulador do culto" ( que ensina que o que deve ser realizado no culto deve ser ordenado pela palavra [confira o cap. 1 da CFW seção 6,8]. Dizem que tudo na vida é culto (o que nós não negamos) e assim, decidem trazer para o culto solene – a asssembleia pública – aquilo que não é ordenado pela Palavra (corais, coreografia, danças, palmas), isto porque em suas casas eles dançam, batem palmas em suas devocionais religiosas. E se posso adorar a Deus em qualquer lugar, dizem os que são contrários ao principio regulador, não há necessidade de ir ao culto solene!
Alguns aspectos precisam ser esclarecidos aqui. A CFW reconhece que a vida é para a glorificação a Deus, este principio já fora estabelecido na primeira pergunta do Catecismo Maior de Westminster – Qual o fim supremo e principal do homem? Glorificar a Deus e goza-lo plena e eternamente. – então, o ensino aqui deve ser avaliado à luz daquela pergunta. Assim podemos esboçar adequadamente esta questão:
2.1- Deus deve ser adorado em todo lugar: Este é o principio geral que governa as nossas vidas, este deve ser o alvo (propósito) de todo homem conforme aprendemos em Malaquias 1.11 e 1 Timóteo. 2.8 algumas verdades são aprendidas destes dois textos:
A soberania de Deus requer que ele seja objeto de adoração:
E que não importa o lugar onde o homem esteja ele deverá invocar a Deus por meio da oração.
2.2 – Deus deve ser adorado espiritualmente e segundo a sua palavra: Este é o segundo ensino que podemos observa, esta adoração da vida deve também ser espiritual conforme já vimos acima; é um erro pensar que a adoração é mais espiritual quando se está limitado a um local especifico para aquela finalidade, a adoração não está limitada a quatro paredes. Então onde e quando devemos adorar? Esta seção nos diz:
a) em família: O culto familiar tem sido negligenciado em nossos dias, e por isso, temos uma igreja fraca, capenga, se solidez na Palavra – nossos filhos são abandonados espiritualmente falando; nós não nos importamos com a alma deles, então, deixamos que a convivência na Igreja se encarregue de fazer o que é de nossa responsabilidade, o culto familiar consta:
1º de Ensino da Palavra aos nossos filhos – Dt.6.6-7 – note que não se limita ao ensino verbal, mas também ao ensino prático: "andando, na hora de dormir, nas praças"
2º de oração em favor dos filhos – Jó 1.5 – note que o papel do pai é deveras importante na educação do filho – "santificava-os" observe o que Paulo diz em 1 Coríntios 7.14 "os filhos são santos" ou "santificados na representatividade pactual dos pais", por isso, devemos reservar este precioso tempo em família. O casal deve orar juntos em família conforme temos e 1 Ped.3.7
b) diariamente: Todos os dias deve ser visto como um dia de culto a Deus – viver para a sua glória (Mt.6.11- a devoção diária em solicitar o sustento para as nossas vidas é um culto diário a Deus).
c) em secreto: A confissão reconhecer o culto secreto ou adoração particular sozinha. Este aspecto é demonstrado no ensino de Cristo em Mt.6.6; isto não é porque o diabo vai saber ou outra coisa, segundo o contexto da passagem é para que não haja vanglória; um culto deve produzir em nós humildade
III - O CULTO SOLENE DEVE SER OBSERVADO.
A CFW reconhece que a convocação solene deve ser observada. Ele chama-se solene porque nele encontra-se todos os elementos do culto – leitura da Palavra, pregação, oração, salmos de louvor a Deus, sacramentos, e ofertório. Este culto solene não pode ser negligenciado ou voluntariamente esquecido. Por quê?
1. O culto solene envolve uma relação pactual: Este é um ensino claro das Escrituras e o selo pactual do culto é o shabbath – dia do Senhor – o descanso onde o povo da aliança ser reuni diante de Deus (Is.56.6,7)
2. A Negligência ao culto solene revela rebeldia: O ensino claro da Bíblia diz que devemos estar sempre no congregando; isto faz bem à nossa alma e a nossa fé (Hb.10.25).

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Estudo Bíblico e Teológico:
A BÍBLIA COMO O LIVRO DO PACTO DE DEUS.
Prof. João Ricardo Ferreira de França.
jrcalvino9@gmail.com
fones: 3475-7544 / 8684-6461.
Introdução: O estudo da Bíblia exige de nós conhecimento. Um conhecimento do que este livro significa para a Igreja; e, sem este conhecimento não poderemos progredir em nosso entendimento de quem é Deus, nem muito menos compreender os seus atos de salvação neste mundo, por isso, este breve estudo vem a tona para nos ajudar a compreender a Palavra de Deus. pois, há uma necessidade de se compreender a bíblia. Gostaria de focalizar o nosso estudo sob a ótica de que o livro que temos diante de nós é um livro pactual. Onde Deus se revela a nós de forma pura e límpida.
A bíblia é a fonte de toda a nossa teologia e seria imprudente estudarmos qualquer doutrina sem considerarmos a fonte desta doutrina, ou seja, seria insensato não considerarmos a Bíblia como ela de fato é: A revelação de Deus.

I – PONTOS DE VISTAS SOBRE A BÍBLIA.

Ao longo da história da Igreja tem surgido vários pontos de vista a respeito do que seja a Bíblia, e sobre a maneira como ela deve ser lida e interpretada, vejamos estas visões resumidamente:

1.1 – A VISÃO FUNDAMENTALISTA: Esta visão é muito boa, pois, olha para a Bíblia como sendo de fato a Palavra de Deus, todavia, faz uma distinção gritante entre o Antigo e o Novo Testamento, dividindo o povo de Deus; sugerindo que Deus tem dois povos – Israel e a Igreja.
1.2 - VISÃO CRÍTICO-LIBERAL: Esta visão anula toda a idéia que a Bíblia seja a Palavra de Deus, sugerindo que a Bíblia é um livro com muitos mitos, negando os milagres do Antigo Testamento e do Novo Testamentos; resta visão deve ser rejeitada, pois, não se apoia na revelação escrita de Deus.
1.3 – A VISÃO NEO-ORTODOXA OU NEO-EVANGÉLICA: Sustenta que a Bíblia está misturada de verdade e de erros, e que nem tudo que está escrito na Bíblia é verdadeiro, esta é a visão de que a Bíblia não é a Palavra de Deus, mas que se torna a Palavra de Deus quando é pregada e crida pelo ouvinte. Esta visão também deve ser rejeitada, pois, toda meia-verdade é uma mentira completa.
1.4 – A VISÃO HISTÓRICA-REFORMADA: É a visão de que a Bíblia é a Palavra infalível de Deus toda suficiente para nos conduzir na fé e na conduta Cristã. É esta a convicção que nós abraçamos como Igreja. Podemos dizer que esta é a correta visão que devemos ter da Bíblia. Isso significa que sustentamos que na Bíblia não existe nenhum mito, nenhum erro ou mesmo que ela é incompleta , mas que a Bíblia é um livro verdadeiro em tudo o que afirma. A visão Reformada ou Calvinista pode ser resumida conforme está abaixo:
a. A Bíblia é o registro da revelação das relações pactuais de Deus.
b. A Bíblia apresenta uma só mesagem: unificada, integrada que há de desenvolver-se.
c. A Bíblia como livro pactual nos mostra isso de forma clara.
d. A Bíblia como tal possui qualidades específicas.

II – A NATUREZA PACTUAL DA BÍLIA.
2.1 – O Registro Escrito:
Muitos não compreendem a Bíblia porque não percebem que a Palavra de Deus foi escrita por homens que viveram em culturas e épocas diferentes das nossas. Entretanto, o que os escritores registraram não nasceu da intenção deles, mas foi a mão de Deus quem os conduziu a escrever o que escreveram.
O registro escrito possui vários gêneros literários. Isso inclui “narrativas”, “pronunciamentos proféticos”, “admoestações em forma de sermão”, “diálogos”, “hinos”, “orações”, veja alguns exemplos:

Ex.15.1,22 – “Então cantou Moisés e os filhos de Israel em cântico ao SENHOR, e falaram, dizendo: Cantarei ao SENHOR, porque graciosamente triunfou; lançou no mar o cavalo e o seu cavaleiro. [...]Depois fez Moisés partir os israelitas do Mar Vermelho, e saíram ao deserto de Sur; e andaram três dias no deserto, e não acharam água.”[1]
Lucas 3.23 – “E o mesmo Jesus começava a ser de quase trinta anos, sendo (como se cuidava) Filho de José e José de Heli,”[2]

2.2 – Revelação:

A Bíblia é a revelação de Deus ao homem. Mas o que significa a palavra revelação? A resposta é simples, o conceito de revelação “sugere tirar o véu, abrir, tornar acessível o que, de outra forma, permaneceria desconhecido”.
Isso nos leva para a consideração de que Deus é a fonte final e o doador da revelação. A base fundamental está no fato de que a palavra divina é a revelação desse grandioso Deus; e, o conceito refere-se, primeiro, às palavras enunciadas por Deus. Ele falou ao longo de toda a Criação; notemos a frase dominante no capítulo 1 de Gênesis: “e Deus disse”
Mas, algo precisa ser dito aqui que “Deus falou também palavras que pertencem à redenção. Esta perspectiva nos leva para Êxodo capítulo 20. 1-17; o que temos aqui? “Então falou Deus....” ele falou todas a palavras. Mas, o que ele especificamente falou? “Eu sou o SENHOR, teu Deus, que te tirei da terra do egito da casa da servidão”. A Lei nos mostra a redenção em seu prefácio.
Todavia, estas palavras faladas foram transmitidas em linguagem humana inteligível, isto é, em palavras humanas, arranjadas em sentenças e parágrafos.
Neste registro humano temos também a resposta humana. Deus sempre provoca a resposta do homem quando busca manifestar sua justiça, um exemplo claro disso é o Salmo 51; o Saltério (Livro dos Salmos) é compreendido como sendo a resposta humana à revelação de Deus. Deus provoca o homem com sua Santidade para Ter uma resposta de arrependimento um exemplo é Isaías 6.8-13.]

2.3 – As Relações Pactuais:

Qual é o tema central da Bíblia? Alguns estudiosos dizem que é a promessa, outros dizem que é o Reino, mas nós pensamos que o tema central é o Pacto de Deus. A Bíblia é o livro permanente das relações pactuais. O pacto assume conceito central na Palavra de Deus. O que é um pacto? Pacto é uma aliança. Deus entrou em Aliança com o homem desde o éden.
Esta perspectiva assume vital importância em nosso estudo. Pois, temos aqui
2.3.1 – A Bíblia Retrata o pacto em harmonia com o Reino de Deus.

A aliança nos diz que Deus é “o rei por virtude de quem e o que Ele é como Deus; porque ele criou, sustenta e governa, controla e dirige todas as coisas na criação;...” em outras palavras, a aliança fala de Deus como sendo o “Senhor da redenção” e que deve ser contemplado como o “consumador e o Juiz final e absoluto de toda a humanidade”. Essas declarações nos indicam que a Bíblia é um livro que trata do Reino de Deus entre os homens. Esta é a primeira verdade sobre as relações pactuais apresentadas na Bíblia.

2.3.2 – A Bíblia apresenta o Pacto em sua natureza intrínseca.

O que é está em aliança com Deus? A Bíblia nos ensina que é “estar ligado a ele por um laço de vida e amor.” Este laço é divinamente “iniciado e mantido”, este ponto precisa ser considerado quando lemos no Salmo 89. 30-35:
“ Se os seus filhos desprezarem a minha lei e não andarem nos meus juízos, 31 se violarem os meus preceitos e não guardarem os meus mandamentos, 32 então, punirei com vara as suas transgressões e com açoites, a sua iniqüidade. 33 Mas jamais retirarei dele a minha bondade, nem desmentirei a minha fidelidade. 34 Não violarei a minha aliança, nem modificarei o que os meus lábios proferiram. 35 Uma vez jurei por minha santidade (e serei eu falso a Davi?):”

2.3.3 – A Bíblia apresenta-nos que este laço foi iniciado na Criação.

Deus traz o mundo à existência porque tenciona manifestar a sua glória neste mundo. Ao criar o homem Deus decide esculpir no homem a sua imagem (Gênesis 1.26) conforme registra Moisés:“E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra.”
Ao criar o homem nestes termos Deus estabeleceu “um laço de vida e amor entre ele próprio e a humanidade”. Este é o pacto da Criação. Agora quando Adão e Eva pecaram, tornaram-se quebradores do pacto(Gênesis 2.15-17); eles “romperam o laço de vida e amor de seu lado” (Gênesis 3.6) “Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer, agradável aos olhos e árvore desejável para dar entendimento, tomou-lhe do fruto e comeu e deu também ao marido, e ele comeu.”
Mas, qual é a ação de Deus? “Deus ,entretanto, manteve suas relações de vida e amor e, afim de restaurar plenamente a humanidade no pacto da criação, então, surge uma nova dimensão do pacto. Ele torna possível a redenção da humanidade em Gênesis 3.15.( pacto da redenção)

III – A MENSAGEM ÚNIFICADA, INTEGRADA E DESENVOLVIDA DA BÍBLIA.

A Bíblia é o registro da vontade de Deus ao homem. Ela trata de duas grandes relações pactuais (criação e redenção), a história da salvação está condida nesta perspectiva pactual da Bíblia. Agora precisamos estudar a respeito desta mensagem. A grande questão é: quantas mensagem possui a Bíblia? E a divisão Antigo e Novo Testamento é legítima? O conflito entre Lei e Graça é verdadeiro? São perguntas que precisam ser respondidas. Devemos considerar algumas realidades:

A. A mensagem da Bíblia é Unificada:

Temos a plena convicção de que o tema de toda a Bíblia é o “Reino de Deus e o Pacto”. Este é o tema controlador de nossa compreensão da Bíblia como Palavra de Deus.

B. A mensagem da Bíblia é Integrada:

Esta mensagem possui diversos elementos que a constitui. Isto porque o Deus Trino decidiu salvar, redimir, resgatar e restaurar uma humanidade perdida. Note estamos falando da Bíblia como o livro do pacto que registra toda a revelação pactual de Deus.

C. A mensagem da Bíblia é Desenvolvida:

Este é o aspcto mais importante para a compreensão dos ensinos na Palavra de Deus. O que queremos dizer com isso?

C.1 – Que a revelação deste pacto é orgânica: A Bíblia que temos em nossa mão não foi dada de uma única vez, Deus falou várias vezes e de várias formas, conforme aprendemos de Hebreus 1.1: “Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas,”. A revelação de Deus esteve presente como sementes em diversos lugares até nascer uma grande árvores chamada Bíblia Sagrada.

C.2 – A revelação foi Progressivamente revelada: A palavra de Deus foi dada de forma a chegar ao seu climax, assim como uma árvore nasce da sementes e vai crescendo e se desenvolvendo assim foi a questão da Bíblia.

C.3 – A revelação é histórica: A mensagem redentora de Deus na Bíblia vem pelos agentes e circunstâncias históricas. Assim ocorreu nos tempos dos profetas do Antigo e do Novo Testamentos.

IV – CARACTERÍSTICAS DA BÍBLIA:

1. Ela é Singular: Ela é um livro divino-humano, sua mensagem é de origem divina; a Bíblia é também humana, pois, foi escrita por homens (2 Pedro 1.20-21).

2. Ela é um livro do pacto: Ela revela a soberania de Deus, mostrando o amor indomável de Deus pelo povo da aliança.
3. A Bíblia foi escrita dentro da comunidade do pacto: Israel deveria manifestas as virtudes da Lei para toda a humanidade. Pois, foi assim que Deus planejou quando chamou Abraão ( Gênesis 12.1-3)
4. A Bíblia é um livro transcultural: A revelação de Deus na Bíblia não se condiciona a cultura de uma determinada época. Por isso, deve ser recebida como Palavra de Deus.

[1] Este texto começa com uma narrativa e vai para a poesia, depois, volta para a narrativa ;e por fim uma poesia.
[2] note que o texto começa com uma narrativa e termina com uma genealogia.
ENTENDENDO O CREDO APOSTÓLICO.
com
João Ricardo Ferreira de França.[1]
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jrcalvino9@yahoo.com.br

Boa noite a todos, nós estamos mais uma vez aqui para estudarmos este tão precioso credo, e estamos agora abordando o segundo aspecto doutrinário do credo, ou seja, estamos lidando com: Deus, Filho e a nossa redenção. O nosso último encontro foi salutar, pois, aprendemos sobre a primazia de Cristo no credo. E hoje vamos trabalhar um aspecto que julgo de capital importância para cada um de nós que estamos aqui nesta noite, vejo que muitos tomam nota do que falo, isso é bom, todavia, gostaria que cada um pensasse comigo sobre o que vamos estudar apartir deste momento.
Iremos de fato avaliar o terceiro artigo do credo. Que diz: “Creio em Jesus Cristo[...] o qual foi concebido por obra do Espírito Santo, nasceu da virgem Maria...” Quando leio estas palavras fico pensando sobre que tema daria a esta aula de hoje? Seria o ato magno do Espírito Santo? Seria um bom tema para explorarmos nesta aula, todavia, isso seria cometer uma incongruência tamanha, pois, aqui se enuncia o aspeto teológico de Deus, o Filho; então, penso que o tema, não menos valoroso do que o que acabei de especular, seria de fato:
O GRANDE MISTÉRIO DA ENCARNAÇÃO.
Pois bem, este é o tema de nosso estudo desta noite. A doutrina da encarnação sumiu de nossos púlpitos, onde ela está? Por onde anda? Até mesmo em Igrejas confessionais tal doutrina não recebe a devida atenção; estaríamos prontos a vasculhar o credo e procurar nesta doutrina as dracmas perdidas da Igreja? Alguns, têm sugerido que tal doutrina, a encarnação, serve apenas para os círculos acadêmicos. É verdade que muitos de nós aqui pode até pensar desta forma, todavia, não deveria ser visto por este prisma. A encarnação é a doutrina da Igreja – no sentido mais prático do termo – e não pode ser relegada o mero intelectualismo árido que marca o nosso tempo.
O credo quando é recitado na Igreja fala-nos disso de forma muito clara, e precisamos compreender isso da forma mais prática e vivencial possível, este tem sido o meu grande desafio ao ministrar-lhes estas singelas aulas.
O nosso símbolo de fé diz “Creio em Jesus Cristo[...] o qual foi concebido por Obra do Espírito Santo nasceu da virgem Maria...” estas palavras me deixam perplexo, pois, nos comunicam algo mais do que os melhores livros poderiam fazê-lo; estas palavras nos falam que Deus decidiu tornar-se um homem! A Segunda Pessoa da Trindade, Deus, o Filho foi “Concebido”! Nossa! Isso é elevado de mais para cada um de nós aqui nesta noite. Mas é a fé da Igreja e não pode ser negligenciada. Deus veio até os homens em forma humana. Isso é importante para todos nós que somos salvos, sem a encarnação não haveria a possibilidade de redenção.
O credo diz que a Igreja crê na realidade histórica da encarnação. Por que digo isso? Bem, porque muitos têm dito que não existe tal milagre! Vejamos o que podemos aprender sobre tais palavras com muita parcimônia.
A primeira questão que desejo chamar a sua atenção no credo é a expressão: “o qual foi concebido...” a palavra chave para toda a nossa abordagem está aqui “concebido” o termo grego pode ser traduzido por “gerado”, isso nos lembra a afirmação de calcedônia em 451 d.C – “gerado, não feito” – a idéia que o credo nos passa é que Cristo não veio ao mundo por ato criativo de Deus, o que de fato o colocaria na função de criatura de Deus! Gerar é algo mais profundo do que criar.
O que está envolvido aqui diletos irmãos em Cristo? Quando o credo usa o termo “concebido” está nos dizendo que Cristo tinha a mesma natureza do Pai. Reiteremos este assunto porque possui uma capital importância para cada um de nós. A negação deste principio basilar leva-nos para uma linha de uma cristologia truncada, anti-cristã e anti-filosófica.
A encarnação tornou-se possível devido ao papel ativo do Espírito Santo; isso é demonstrado em nosso credo que diz “...foi concebido por obra do Espírito Santo...” quando olhamos para esta declaração nos perguntamos, o que significam estas palavras? Estas palavras significam que O Espírito Santo esteve santificando o ventre da virgem para que esta pudesse receber o Filho de Deus. A obra do Espírito estava vinculado ao fato de que a concepção de Cristo deveria ser basicamente erigida sobre este princípio imperecível. O ventre de Maria deveria ser santificado para que a corrupção do gênero humano não passe para o redentor.
Qual era a função do Espírito Santo neste grande evento da encarnação? Um grande erudito nos diz que a função do Espírito Santo era “conservar a santidade e a impecabilidade daquele que estava para nascer”[2]; estamos de acordo com isso? Sim. Pois a evidência bíblica nos inclina para isto conforme Lucas 1.35.
A obra santificadora do Espírito sobre o ventre da virgem era de notável necessidade uma vez que todos (homens e mulheres) nascemos corrompidos conforme nos ensina o santo apóstolo em Romanos 5.12, era preciso que a doutrina da encarnação preconizada em Gênesis 3.15 encontrasse espaço mediante a ação do Espírito Santo – o descendente prometido deveria vir ao mundo para redimir, ser salvador e só poderia fazê-lo tendo uma natureza livre do pecado.
Isso nos leva para outra verdade ensinada no credo “o qual foi concebido por obra do Espírito Santo nasceu da virgem Maria...”esta declaração do símbolo de fé deixa-me perplexo! Ele nasceu... Cristo veio ao mundo. Deus era uma criança nos colos de uma mortal! Aqui se retrata a profunda humilhação de nosso redentor. Ele nasceu de uma mulher.
Isso era necessário? A resposta deve ser positiva, pois, vemos no nascimento de Cristo o cumprimento de Gênesis 3.15. Ele era o segundo Adão que nos fala o apóstolo em Romanos 5. Ele tinha que ser humano perfeito. A doutrina enunciada aqui nos conduz para a compreensão da solidariedade da raça humana. Cristo partilhou de nossa natureza, ele recebeu uma natureza humana verdadeira – herdada de Maria – todavia, com diz Calvino, uma natureza “viciada a tantas misérias”[3] a humilhação de Cristo está aqui clara diante de nós. O credo confessa isso. Ele se humanizou, e vestiu os trapos de nossa carne. ( Fp. 2.5-11)
O nascimento virginal de Cristo mais a ação soberana do Espírito Santo mostra a novidade da historia redentiva que Deus estava executando. O seu Filho estava vindo ao mundo para redimir o seu povo. O Seu Filho Santo veio habitar com os pecadores.
Note algo fundamental no credo. Não diz que ele veio ser depositado no ventre da virgem! Ele veio nascer. Ele nasceu, o seu nascimento foi natural – não foi algo magistral, foi simples, todavia, foi milagroso, pois, uma virgem gerou o Filho de Deus; aqui ecoa a realização do dito profético de Isaías 7.14 como boas-novas aos pecadores.
Quando o credo diz que ele “nasceu da virgem” se tem em mente mostrar que ele [Cristo] tomou para si uma alma humana verdadeira e que tinha um corpo real verdadeiro tangível ao toque humano Jo. 20.27-28. A Bíblia está repleta desta verdade que não pode ser negada.
Aprendemos pelas Escrituras que ele se “encarnou” conforme lemos em João 1.14; ele habitou entre nós. Já dissemos em outra ocasião que o verbo habitou aqui nesta passagem indica que “Deus tabernaculou”, armou a sua tenda em nosso meio. Ou seja, o nascimento do Filho Deus era a manifestação plena do dito profético que diz “seu nome será Emanuel” que quer dizer “Deus conosco”! Este deve ser o entendimento desta questão da encarnação.
A Bíblia ensina que Cristo tinha uma alma humana verdadeira vemos isso em Mateus 26.38, uma alma que poderia ser marcada pela tristeza; pela angústia de morte! Este é o ponto em questão, ele era homem pleno em sua constituição e negá-lo seria ir contra toda a evidência Bíblica.
Em nossas leituras bíblicas também aprendemos que Cristo de fato nasceu da virgem conforme nos ensina o credo que recitamos dominicalmente, a Bíblia diz que ele nasceu desta virgem que o credo apresenta o nome “Maria” Lucas 1.27,21,42.
Mas o credo está também focalizado na realidade de que o nascimento de Cristo vindo por uma virgem era de fato a inauguração de novo momento na história da redenção dos homens conforme aprendemos em Galátas 4.4 – na plenitude dos tempos – isso indica que o nascimento de Cristo inaugura o fim de uma era marcada pelo pecado e inaugura uma nova época. Ele é a concretização da esperança escatológica do período veterotestamentário. Então, Maria não está em cena neste aspecto de forma alheia a vontade de Deus, mas está exatamente para fazer cumprir o propósito de Deus para a redenção da humanidade que é restaurada em Cristo.
Cabe então, uma pergunta: Maria é co-redentora? Não. Ele não é redentora, mas é redimida pela ação de Deus. Ela crer em seu salvador – bastar ler o seu cântico no Evangelho de Lucas - o que este aspecto do credo sumariza para cada um de nós nesta noite é que Cristo tinha de fato uma natureza humana herdada de sua genitora. Todavia, ela gera a pessoa do redentor que é Deus e homem.
A encarnação de Cristo e sua geração no ventre da virgem nos aponta para a realidade da humanidade perfeita – perfeita? – Sim! Porque Cristo é sem pecado, ou melhor, concebido sem pecado. Isso não quer dizer que a relação marital seria pecado, especialmente neste caso aqui, mas significa que o efeito do ato miraculoso do nascimento virginal chama atenção para a mensagem redentiva de Deus ao homem. A sua concepção no ventre da virgem nos alude a questão de que formos feitos para sermos perfeitos, mas o pecado mudou tudo isso! É no ventre de Maria que pecado começa a ser tratado como deveria ser encarado, ou seja, como algo que corrompe todos os propósitos divinos, por isso, para a resolução do problema chamado de pecado é necessário uma intervenção divina – por isso, temos a menção ao Espírito Santo no credo – o Espírito Santo possibilita a chegada de Cristo ao mundo dos mortais.
Mas, é bom que se diga que o credo está rejeitando a noção gnóstica, conforme já temos abordado, pois, a realidade da encarnação é que Cristo sendo Deus veio até nós pecadores. Isso nos leva a entender que a matéria não é má conforme era ensinado pelos gnósticos. O propósito de tudo é a glória de Deus neste assunto. Deus é glorificado no simples fato de que o seu Filho Jesus Cristo assume a nossa natureza para puder satisfazer a justiça eterna de Deus.
Que lições aprendemos aqui?

1 – Aprendemos que o pecado é algo sério: Cristo vem e se faz homem porque o pecado corrompeu toda a raça humana, e apenas um homem perfeito poderia de fato satisfazer a ira de Deus, por isso, devemos odiar o pecado pois ele corrompe tudo o que deveria ser perfeito.

2. Aprendemos que a humildade é singular no cristianismo: O próprio Cristo nos ensina isso de forma evidente, ele sendo o Senhor do universo, criador de todas as coisas no cosmos decide vestir-se da carne humana. É uma grande lição para cada um de nós aqui. O nosso Deus veio habitar entre nós! Isso exige e nós humildade.

3. Aprendemos que temos esperança: A encarnação de Cristo nos ensina que há uma esperança fundamental na vida da Igreja, é o fato de que a humanidade perfeita foi apresentada a Deus por nosso redentor, isso nos dá esperança de que tudo o que hoje somos – com dor, lágrimas, perdas gritantes e morte – é nada diante da nova era inaugurada pelo Redentor! Temos a certeza de que a nossa humanidade está segura porque o nosso Deus veio e se fez homem e cumpriu as exigências da lei em nosso lugar.
[1] O Autor é membro da Igreja Presbiteriana do Brasil. É fundador e atualmente lidera a Congregação Presbiteriana da Sagrada Herança Reformada em Prazeres – Jaboatão dos Guararapes.
[2] FERGUSON, Sinclair B. O Espírito Santo, São Paulo: Os Puritanos, 1 edição, 2000, p.50.
[3] CALVINO, João. The Gospel according to John, Edingurgo: St. Andrew Press,1959, p.20.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

TEOLOGIA BIBLICA

TEOLOGIA BÍBLICA EM FOCO:
A MISSÃO DA IGREJA NESTE MUNDO – UMA ABORDAGEM DE ATOS. 1.8.
Por: João Ricardo Ferreira de França[1].

Texto Grego: “alla lêmpsesthe dynamin épelthontos tou hagiou pneumátos eph hymas kai esesthé mou martyres en te Ierousalêm kai [en] pasê tê Ioudaía kai Samareía kai hôs eschátou tês gês”[2]

“ Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria, e até aos confins da terra.”

O texto que temos diante de nós é significativo, pois, nos oferece profundas verdades a respeito do evangelho de Cristo, mas especialmente a respeito da Igreja Primitiva.
Todos nós estamos cientes de que este texto foi escrito para descreve a expansão da Igreja durante os seus 30 primeiros anos após a elevação de Cristo aos céus.
Este texto está dentro do contexto da ascensão de Cristo como já afirmamos. Na verdade ele consiste no plano de ação da Igreja no que diz respeito a evangelização e a relação do Espírito Santo com a mesma.
Nos versículos anteriores que nós consideramos como contexto imediato anterior temos os ensinamentos finais de Cristo, todavia, o mestre é interrompido por uma questão escatológica: “Aqueles, pois, que se haviam reunido perguntaram-lhe, dizendo: Senhor, restaurarás tu neste tempo o reino a Israel?”(Atos.1.6).
É percebido no texto um contraste entre o ensinamento de Cristo “concernente ao Reino de Deus”(vs.3) e o “reino de Israel”, esse contraste mostra-nos perspectivas diferentes quanto ao que era de fato a função da Igreja. Como se faria presente o reino Deus? Se evidenciaria “pela promessa da vinda do Espírito Santo”(vs.4). Mas, os discípulos não estavam muito interessados na perspectiva do reino de Deus, que era apresentada por Cristo, eles queriam apenas a questão de uma libertação do domínio romano que estava no cenário naquele momento.
Qual é a resposta de Cristo a esta questão escatológica? Cristo responde de maneira satisfatória a esta indagação ao dizer: “Não vos pertence saber os tempos ou as estações que o Pai estabeleceu pelo seu próprio poder.”(vs 7). Cristo diz que não era da competência deles especularem quando haveria de se estabelecer o reino de forma plena, isto porque o Reino estava na proclamação Kerygmática (pregação) de Cristo e na promessa da chegada do Espírito Santo. Este é o ponto que temos diante de nós. Pois, não é o esforço humano que vai trazer a plena manifestação do Reino – mas o próprio poder de Deus! – aqui fica claro pelas palavras de Cristo. Também vemos que não se trata de uma manifestação do reino unicamente visível aos olhos, mas de algo que já estava presente entre eles.
Então, Cristo volta-se e diz: “mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra.”(vs.8).
Ele começa colocando-nos uma oposição, ou melhor, um contraste com aquilo que estava sendo dito pelos discípulos, ele diz: “mas” esta palavra é uma conjunção adversativa; e no texto grego “alla.” é usada para expressar algo com intensidade, enfatizar, chamar a atenção. Cristo está dizendo que eles deveriam deixar de pensar escatologicamente concernente a um reino futuro e visível.; Pois, o esforço o humano não traria este reino de forma automática. A função da Igreja é proclamar a mensagem do Reino e não especular quando o reino será plenamente manifestado. Agora por que Cristo usa este contraste? A resposta está no fato de que a Igreja deveria receber uma capacitação específica para poder proclamar o Reino de Deus.
O nosso texto diz: “Recebereis” este verbo no texto grego é “lêmpsesthe”ele é um verbo defectivo, pois, está na voz média depoente, ou seja, é um verbo que tem a forma passiva, todavia, o sentido é ativo; o modo é indicativo e o tempo é futuro. O modo indicativo aponto para a certeza do recebimento. Eles de fato são assegurados disso, e o futuro indica que não é uma mera conjectura, mas expressa que isso de fato ocorrerá.
A questão diz respeito o conteúdo deste recebimento que é o “Poder”. A palavra que encontramos aqui é um substantivo no caso acusativo feminino singular, este termo no grego “dynamin” possui uma série de significados tais como ‘força’, ‘habilidade’, capacitação’. Como entender o termo aqui neste texto? Pensamos que a palavra deve ser compreendida no sentido de “habilitação’ ou ‘capacitação’. É um poder que capacita ou que habilita.
Mas, quando vem tal poder capacitador? Em que momento a Igreja experimentaria tal poder? O texto nos diz que é quando “descer sobre” aqui Lucas usa um particípio grego “épelthontos”. Sabemos que o particípio refere-se a uma ação passada com resultados duradouros; no caso em apreço nós temos um verbo no particípio aoristo que indica uma ação passada de forma completa e única – não repetida – ou seja, Lucas diz que a Igreja receberia tal poder depois de algo “descer sobre ela”, uma melhor tradução que expressaria adequadamente o sentido deste particípio seria “tendo descido sobre”, mas a idéia é de vir sobre; ou mesmo de derramar.
A questão é: o que seria “derramado” ou que “viria sobre” a Igreja? A resposta vem posteriormente, diz o texto “tendo descido o Santo Espírito”. Note que não é o poder que é derramado, mas o Espírito que gera o poder é que é derramado. Notemos que este Espírito é adjetivado como sendo santo. O atributo de santidade do Espírito não é negligenciado pelo Texto, refere-se que este poder que a Igreja receberia não seria corrompido, mas santo, pois, sua fonte é o Espírito Santo de Deus.
A Igreja não é marcada por um poder que não produz santidade, mas antes de tudo é necessário que o poder da Igreja reflita a santidade inerente ao doador de tal poder – O Espírito Santo de Deus. Crer que a Igreja é Santa significa acreditar que o poder da instituição ekklesia é santo; isto tem sua razão pela capacitação e santificação do Espírito na vida da Igreja.
A Igreja não é santa em si mesma. Ela é santa porque é a habitação do Espírito Santo, outro aspecto teológico disso é que o Espírito Santo vem graciosamente habitar na Igreja. Ele é derramado sobre a Igreja conferindo a ele um poder sem igual neste mundo, um poder que somente ela tem e nenhuma outra instituição pode ter tal poder que é conferido à Igreja, nenhum Simão pode comprar tal doação divina!
Mas, sobre que vem o Espírito Santo? Sobre todos os homens? Não. O Espírito vem sobre o povo do pacto – este povo chamado Igreja – sobre ninguém mais, pois, o lugar de habitação do Espírito Santo. O Espírito seria derramado abundantemente sobre a Igreja neotestamentária “eph hymas”- sobre vós – Cristo particulariza a habitação do Espírito, assim como a redenção é particular, os efeitos e a aplicação da mesma redenção devem ser particulares. O mundo não pode receber o Espírito Santo, pois não vive no momento escatológico da ressurreição e ascensão de Cristo aos céus, e nem muito menos tem a esperança, esta outorgada pelo Espírito, da volta de Cristo[3]. O Espírito deve habitar naqueles que são alvos da morte redentora de Cristo. Isto significa que a habitação do Espírito é para os eleitos de Deus – “sobre vós” ele virá diz Cristo aos seus discípulos.
Com qual finalidade o Espírito seria derramado na vida da Igreja? Qual é a conseqüência disso na vida da Igreja? A conseqüência é que a Igreja seria transformada em proclamadora de Cristo ao mundo. O Espírito Santo habita na Igreja para fazê-la uma testemunha da obra de Cristo aos homens.
Cristo diz: “sereis minhas testemunhas” o autor do livro usa o verbo “esesthé,” que é um indicativo futuro na Segunda pessoa do plural. Nos chama atenção o modo como este verbo está sendo o usado – ele está no indicativo – o modo indicativo aponta para um fato concreto, ou seja de fato vocês serão minhas “testemunhas”. O uso do pronome possessivo aqui “minhas” - mou– indica-nos que Cristo continua sendo o Senhor da Igreja e que exige dela o não silenciar-se diante do mundo. O senhorio de Cristo é manifestado mesmo quando somos vocacionados a proclamar o evangelho, pois, sempre estaremos proclamando a Palavra de Cristo e não a nossa. A Igreja foi transformada e capacitada a ser “testemunha” o termo grego aqui “martyres” significa mais que pregar o evangelho com a voz, pois, o termo é usado para aquele que é martirizado por causa do evangelho. Ou seja, na vida e na morte a Igreja deve testemunhar de Cristo ao longo dos tempos. Cristo deve ser visto na pregação e na vida da Igreja – esta foi a capacitação que a Igreja recebeu do Espírito Santo.
Nós não apenas temos diante de nós os ensinos, no que diz respeito ao papel do Espírito Santo sobre o determinado aspecto do capacitar que este derramar envolve a Igreja de Cristo, mas temos também o plano de ação missiológica oferecido por Cristo a sua Igreja.
Cristo não apenas nos promete a capacitação adequada, que é manifestada pelo Espírito Santo, mas também ele nos indica o caminho por onde a Igreja deve trilhar, por onde a Igreja deve agir. Ele diz: “em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra.”
Alguém poderia dizer, Cristo tudo bem nós iremos receber este poder para testemunhar, mas por onde devemos começar? Onde está o nosso campo de ação? Parece muitos seminaristas e pastores indagando a Deus. A resposta de Cristo é simples: “Em todos os lugares onde ninguém tenha ouvido falar de mim”. Este é o ponto. Aqui não há uma seqüência cronológica como muitos têm proposto, mas a ação aqui deve ser vista como simultânea. Isso pelo uso maciço que é feito das conjunções no texto: “en tê Ierousalêm kai [en] pasê tê Ioudaía kai Samareía kai hôs eschátou tês gês”.
O foco é Jerusalém deve-se começar aqui, ou melhor, o testemunho iniciará por ali. O pentecostes é uma prova cabal disso. Começa com os que estão tão próximos é o primeiro passo missiológico da Igreja, mas não esquecer os que estão um pouco distantes “Judéia”, pois, eles também precisam do mesmo Cristo e do mesmo evangelho, não se deve concentrar-se em apenas um lugar, mas em todos, inclusive entre aqueles que não julgamos ser merecedores do evangelho “Samaria” – mas a missão ela só é completada quando o útimo da terra for alvo desta evangelização, isto indica que a disposição da Igreja é proclamar o evangelho a toda a criatura segundo as ordens de Cristo. Diante disso que verdades podemos aplicar as nossas vidas sobre estas questões levantadas?

1. Compreender que a Igreja se manifesta pela finalidade com qual Deus a estabeleceu.
2. Compreender Que Deus capacita a Igreja para cumprir os seus propósitos redentivos.
3. Aplicar a verdade de que a nossa Eclesiologia é definida pela ação soberana do Espírito Santo sobre a nossa vida.
4. Viver a realidade de que não podemos transferir a nossa responsabilidade missiológica, pois, a Igreja foi capacitada para proclamar o evangelho, isto significa que não deveríamos nos apoiar nas muletas das agências missionárias, transferindo para outros o que é de inteira responsabilidade da Igreja.
5. Confiar que apenas Deus nos indica o campo, isto também mostra que apenas ele produz os resultados da Igreja, ou seja, a nós não foi dada a tarefa de produzir corações que adorem ao Senhor, mas nos foi confiada a palavra da reconciliação para ser proclamada.


[1] O autor é Membro da Igreja Presbiteriana do Brasil, atualmente está bacharelando em Teologia no Seminário Presbiteriano do Norte (SPN) e lidera uma Congregação Presbiteriana em Prazeres – End. Rua 1 ao lado do Supermercado Arco-íris.
[2] Esta é uma transliteração: significa que os termos gregos foram substituídos pelos seus equivalentes em português para que leitor saiba o que se está lendo.
[3] Estou pensando como teólogo bíblico, mas não estou negando que haja alguma operação do Espírito na vida daqueles que não são crentes, pois, sabemos que a doutrina da Graça comum diz respeito a essa operação do Espírito na vida dos não eleitos.